domingo, 10 de junho de 2012

1) Um Prólogo


Era uma época complicada. Todas as épocas o são, mas a complicação de uma época é diferente conforme seja vista de dentro ou de fora. Aquela era uma época de enriquecimentos rápidos e mortes instantâneas, de magias mal compreendidas e ciências recém-inventadas, onde para ser poderoso bastava exibir o ouro ou o aço. As estradas estavam repletas de salteadores roubando criminosos. A família real e metade da corte haviam desaparecido durante mais de dez dias até que se soube estarem trancados num castelo, sob forte guarda armada, realizando reuniões de Estado (segundo algumas fontes), um baile (segundo outras) e uma bacanal satânica (segundo ainda outras). Uma seca terrível havia devastado as colheitas, e uma guerra no reino vizinhos estava fazendo surgir por ali os mais inconvenientes de tipos de migrantes. Sem reis, sem autoridades presentes, os membros da guarda real faziam o possível para preservar a paz pública nas imediações do palácio e deixavam o resto da capital entregue a si mesma.  Com a escalada do crime aumentando a cada dia, o Sindicato dos Ladrões resolveu tomar uma providência, pois se não o fizesse não restaria em breve mais ninguém de quem roubar. Assim, foi convocada uma reunião extraordinária dos vinte ou trinta membros do conselho tutelar do Sindicato, o que trouxe para lá vários desses membros que viviam espalhados por todos os cantos. Cartas foram expedidas por cavaleiros velozes, convocando todos para uma reunião durante a semana das comemorações de São Hermes, padroeiro da categoria.

E foi assim que dois personagens se encontraram por acaso (embora cada um já soubesse que o outro também estava a caminho dali) na estalagem do Esmerilhão Malhado, e puderam finalmente trocar impressões sobre os cinco anos transcorridos desde que tinham se encontrado pela última vez.

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